Entrevista | Bota Gasta

quarta-feira, agosto 31, 2016 Hell F. 5 Comentários

Saudações, queridos! Este post de retorno do Faroeste é especialmente dedicado a todos que curtem a cena punk e suas subvertentes. A banda Bota Gasta está na ativa há tempo suficiente para ser considerada clássica, especialmente em São Paulo, onde foi formada. O BG recebeu influência de grandes grupos punks brasileiros e se tornou tradicional na cultura underground da capital paulista. Com letras autorais que reforçam a dificuldade da vida do típico trabalhador brasileiro, o grupo também aposta no principal objetivo do rock: diversão. Confiram a entrevista concedida pelos integrantes (Mosca, Carlinhos, Maurão e Silas). 

Arquivo da banda

Quais são as principais influências musicais do BG desde a sua formação?
Começou com Vírus 27, Garotos Podres, Plebe Rude,Fogo Cruzado, Cockney Rejects, 4skins,Cock Sparrer, Toy Dolls, Ramones e Motorhead,sempre! Depois o leque de influências foi aumentando com Cólera, Misfits, Danzig, Ratos de Porão e metal em geral de 80 e 90.

Qual a mensagem geral passada pela banda em suas músicas?
Tentamos passar uma mensagem que exalte a força do cidadão brasileiro, de críticas e cobranças em relação ao governo, mas também de não ficarmos de braços cruzados esperando que o governo resolva nossos problemas, porque nós todos somos o Brasil! E algumas músicas não tem mensagens, são apenas para se divertir.

Cantar em português os aproxima do público?
Acreditamos que sim, principalmente em músicas de protesto, porque nossos problemas são em português brasileiro (risos), mas uma música ou outra fica mais legal em inglês, cujo idioma nunca foi o nosso forte, mas a gente dá uma arranhada (risos)!

Arquivo da banda

O reconhecimento e parceria de bandas como Sangue Ruim Vírus 27 nunca fizeram com que o BG fosse considerado uma banda regional, que priorizasse o chamado SP/HC (no caso da SR). Tendo em vista que muitos dos símbolos do grupo exaltam o orgulho brasileiro como um todo, qual a postura dos integrantes da banda (todos trabalhadores) quanto a atual situação do país? Qual o posicionamento geral sobre a fase em que o Brasil está passando? Há esperança de dias melhores?
Meus amigos, a nossa postura é a mesma dos demais cidadãos do pais: continuar trabalhando para tornar o Brasil um país melhor e mais justo para todos! Quanto ao nosso posicionamento político é difícil dizer, pois nem os cientistas políticos que estudam a vida toda conseguem ter uma opinião a respeito, mas gostaríamos de apertar o botão reset na política, porque até agora tiramos o seis e colocamos o meia dúzia, afff... Quanto à esperança, bom, acreditamos que enquanto há vida há esperança!!!

Arquivo da banda

A frase “Somos uma mistura de raça” (da música homônima) se tornou um lema do BG, que conquistou fãs de todo o país devido ao posicionamento antirracista - muito antes do tema se tornar assunto amplamente discutido nas redes sociais. Sabemos que nos últimos anos a banda não mais levanta bandeiras, mas como um grupo clássico e influente no meio do rock, como vocês encaravam a responsabilidade de divertir e também conscientizar nos palcos contra a cultura do ódio?
Então... A música "Somos uma mistura de raças" foi feita na verdade para mostrar ao publico que não conhecia o movimento “Oi!” que tanto o Bota Gasta quanto as pessoas que frequentavam as gigs não eram e nunca foram racistas, principalmente para alguns meios de comunicação não especializados! Quanto a combater a cultura do ódio, não foi uma coisa pensada, foi algo que aconteceu pela própria característica dos integrantes da banda, que têm amigos headbangers, rockers, punks, skins, motociclistas entre outros de todas os credos e raças. Então acho que a energia da banda faz isso acontecer, pois só tentamos nos divertir junto de todos.

Arquivo da banda

Apesar de SP ser o maior celeiro nacional de bandas de rock, infelizmente ainda é difícil viver de música no Brasil. Percebemos que o BG é parceiro de várias outras bandas da cena paulista, o que cria um elo entre o público e outros grupos. O BG possui como meta alcançar o mainstream, ou o espírito continua sendo apenas se divertir tocando na cena underground? Conte-nos um pouco sobre a visão da banda sobre o assunto e também sobre suas parcerias.
Todos nós quando jovens (faz tempo...risos) sonhávamos em viver de música, mas sobreviver do underground no Brasil é muito difícil, acho que poucas bandas conseguiram, talvez apenas o Cólera e Garotos Podres tenham conseguido por algum tempo. Ultimamente acho que alguns como o Matanza, Autoramas e algumas bandas de metal, como Krisiun e Torture Squad. O Bota Gasta toca mesmo por diversão, todos da banda trabalham e ensaiamos nos finais de semana quando dá. A parceria com outras bandas também acontece naturalmente. Temos amigos que tocam em várias bandas, então convidamos alguns para tocar conosco ou somos chamados para tocar com eles. Às vezes somos convidados pra tocar em bares, casas de show e clubes junto com bandas que não conhecemos e aproveitamos pra expandir o nosso círculo de amigos.


Em 2010 vocês abriram o show da The Business, que é consagrada na cena streetpunk. Conte-nos um pouco da experiência.
Haha! Essa foi um experiência muito gratificante! Na época estávamos passando por um momento bem difícil, o Carlinhos (baterista) estava se recuperando de um acidente grave em que ficou de cama durante vários meses. Daí pintou o convite do André para fazer a abertura do show do The Business. Foi uma correria porque a banda estava parada esperando o Carlinhos se recuperar, ele tentou acelerar a volta, mas não deu, então chamamos um amigo nosso (o L.L). Ele ensaiou um tempo com agente e tocamos no Inferno, na Rua Augusta, com o L.L. na batera e o Carlinhos cantando junto com o Mosca (vocal)! Nós adoramos, a galera adorou, o pessoal do The Business foi gente boa demais, os caras também curtiram e depois assistimos o show deles, que foi muito louco. E pra fechar com chave de ouro a noite, fomos tomar cerveja porque ninguém é de ferro, né?

Arquivo da banda

Prestes a completar 15 anos de história, quais os ensinamentos conquistados até então?
Que se você quer tocar rock underground no Brasil, você tem que gostar muito! Faça tudo você mesmo, não espere pelos outros, porque a ajuda vem apenas de alguns poucos amigos.
Tente cultivar a amizade, entre as pessoas e as bandas!




Onde os interessados podem acessar a agenda da BG e ficarem por dentro das gigs? E também como adquirir materiais (camisetas, patches, CDs e etc)?

Para saber sobre o Bota Gasta:



Formação atual:
Mosca - Vocal
Carlinhos - Bateria
Silas - Baixo
Maurão - Guitarra
Hell (bat0mcomalcool)

AUTOR

Hell (bat0mcomalcool). Vulgo Hell {Ellen F.}. Ex-punk, fumante inveterada, colorida e rabiscada. Geminiana em dobro. Filha de Xoroquê e neta da Grande Mãe. Adotou o deboche como filosofia de vida e aceita a decadência como eterna companhia. Viciada em História, política, poesia, cultura vintage, seriados, literatura e The Sims.

5 comentários:

  1. Muito legal a banda, vô procurar no youtube. Que bom que vcs tao de volta Hell, saudades daki ^^

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  2. Que foda!! FINALMENTE VCS DE VOLTA <33333333

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  3. MAS FINALMENTE AS SENHORAS RESOLVERAM DAR O AR DA GRAÇA, NÉ? vai tomar bronca tudinho de mim u.u

    Acho incrível como vocês valorizam a cultura local de vocês e passam um pouquinho disso pro BR inteiro aqui no Faroeste. O mais legal da entrevista foi a justificativa do porque as músicas serem em português. Sim, os problemas são em português, então não adianta pedir resultados em inglês pra grande parte do país não entender nada com nada. Resposta mais criativa ever <3

    espero um dia ir em Brasília pra aproveitar esses shows com vocês e agarrar a minha futura e minha quase-xará *_*

    beeeeeijo
    beinghellz.com

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  4. A Cena de SP esta mais morta do que nunca, ainda bem q os pilantras nao se misturam mais. Bota, virus e histeria sao as unicas q nunca tiveram palhaçada

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