Admirável mundo escroto

terça-feira, maio 06, 2014 Hell F. 2 Comentários



Fonte: Google

Numa sociedade tão voltada para o status e que tanto valoriza novos conceitos como ostentação e fogueira das vaidades – fogueira essa que provavelmente já barrou o próprio "Inferno", me pergunto quando estaremos realmente prontos para nos rebelar (com dignidade) contra essas regras, e assim, tentarmos alcançar a sonhada felicidade com as pequenas coisas que realmente nos preenchem. Vivemos na perfeita decadência moral, de valores essenciais invertidos e novos valores, SUJOS e deturpados, tomando conta de nossa realidade.
Tudo que nos cerca nos dias de hoje é a angústia de pessoas cansadas, altamente comprometidas em seus acúmulos de tarefas e funções, recebendo pouco em comparação ao desgaste investido naquilo, depressão por osmose, correria e violência nos trazendo histeria e uma desesperadora sensação de que somos donos de nossas vidas, MAS NÃO MANDAMOS NELAS!
Estamos vivendo no ritmo inválido do automático: despertador, ducha, trânsito, trabalho, pausa, mais trabalho, almoço, ida ao banco, mais trabalho, trânsito, supermercado, aula, casa, etc. E tudo se passando ao nosso redor, enquanto nossa fé vira enfeite de mentira para não nos sentirmos desprotegidos. Mas rezamos para ter saúde pra aproveitar a vida? Não! Pra receber o suficiente para continuarmos sendo guiados pelo automático.

O caos foi instaurado em nossas veias na surdina, mas quais armas possuímos em mãos para combater o inimigo invisível, sendo ele muito maior que nós?
Há quem levante às 4 da matina pra iniciar sua jornada diária, que termina após baldeações e longas caminhadas, chegando em casa quase na hora de dormir. Há pais que não tem tempo sequer de ver os filhos crescerem, e sem poder oferecer uma estrutura melhor (não por falta de suor, diga-se de passagem). Há quem vive à margem da sociedade justamente por não ter condições de concorrer a bons cargos de trabalho ou uma vaga na universidade. Existe limite para justiça? Se existe, essa cota já foi estourada ou nunca entrou em atividade mesmo?
Afinal, quem foi o imbecil que determinou que quem nasce pobre tem de morrer pobre? Quem foi que ditou as regras de que quem nasce em posição privilegiada pode sambar na cara de quem sempre batalhou pesado para sobreviver? E quem determinou que a felicidade se adquire com luxos e pensamentos de pessoas pequenas?
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Até quando vamos nos conformar com esse medo adormecido de sair de casa sem saber se voltamos? E pior, voltar pra casa cansados, deprimidos, verdadeiros zumbis com sangue quente nas veias. Sem tempo sequer para nós, pois tudo nos veio DITADO. Infelizmente, meus queridos, nós já nascemos programados. As obrigações diárias e as contas pelas quais temos de arcar, sem ao menos entender porque precisamos lutar muito por pouco e trocar nossas juventudes e nossas ideologias por um prazer bloqueado. Todas as tecnologias bobas nos quais nós depositamos tanta energia nos consomem e não recebemos retorno nem prazer algum nisso, apenas ilusão.
Enquanto a vida passa diante de nossos olhos, enquanto uns dormem até mais tarde sem conhecer a riqueza plena de um nascer do sol, outros se espremem em veículos fedorentos e lotados para conquistar o pão de cada dia, sem poder ao menos sentar na janela para apreciar nuvens que um dia poderão nunca mais ver.
Será que a beleza da ideologia romântica da adolescência de viver cada dia como se fosse o último, engolir cada dose com pressa sem saber se o amanhã nos será cedido, será que a fome e a sede de ser feliz, com bons amigos e sem muito dinheiro no bolso, acaba? E ela simplesmente dá lugar à vaidade, à ambição, à luxúria e ao comodismo? E nós vemos tudo isso de mãos atadas sem perceber que sem repúdio, não há mudança. E essas modas que temos de engolir a seco nos levam nesse tornado sem volta para a estupidez...


**little bird
Fonte: Google

Estamos mesmo condenados a acreditar que o exterior é mesmo tão importante, mais até do que a essência de um sorriso, do que as batidas dilaceradas de ver um SMS da pessoa amada, do que a qualidade de vida de dormir até mais tarde num sábado ou um passeio logo cedo num gramado?

Desde quando essa adoração demoníaca aos padrões de perfeição física e do cuidadosamente alinhado para enganar aos outros (os envenenando com o que já sugou sua inteligência por completo) deve ser mais bonita do que tocar o foda-se para as leis pré-determinadas de "quem você deve ser, ou do que você "deve" possuir"?

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Por que não dar de ombros para o que a sociedade impõe? Por que não lutar, cada qual por si mesmo, ao direito do veto a essa perfeição imaginária? Por que não abolir a regra invisível de ter de usar terno e gravata no escritório? Por que não optar por ser autônomo e viver do seu hobbie? Por que não largar toda essa riqueza POBRE que a cegueira por dinheiro traz e ir atrás dos seus sonhos? Por que não tingir seu cabelo da cor que você quiser na hora que você quiser? Por que não se recusar a se humilhar em nome de um emprego assalariado? Por que não assumir os cachos estilo afro ao invés de aderir à obrigação implícita de que o liso é o "arrumado"? Por que não admitir ao mundo sua homossexualidade, bissexualidade, heterossexualidade, e exigir respeito não ligndo pra quem se incomoda? Por que não panfletar pelos seus ideiais? Por que não invadir os prédios públicos e se juntar aos grandes protestos? Por que não rolar no chão contra seus inimigos? Pra quê se privar de manifestar o que pensa, o que é de verdade e o que exige para si?  
Dignidade não tem preço. Felicidade é assumir quem você é, seus erros multiplicados pelos acertos, e seguir na fé - tendo fé na prática ou não, e realizar tuas vontades dando um belo chute no saco daquele que se limita.
Fonte: Google

Vamos mostrar que estamos de saco cheio desse admirável mundo escroto que nos formamos, de pessoas falsas dos cílios aos músculos, dessa gentinha gananciosa que acha que pode nos oprimir, desse cinismo do caralho que nos aprisiona em cárceres permitidos..
Carregamos nas costas o peso de ter demais, extrapolar nos gastos, conquistar os melhores cargos, passar nos melhores concursos e nunca nos desapegarmos de status ridículos - um peso que só aumenta e nunca liberta.
Vamos aprender a dizer não ao que NÃO queremos de fato. E perder a preguiça de começar do zero no que realmente acreditamos, pois nada vem de graça, nem mesmo a felicidade que já experimentamos um dia. Crescer não é apenas fazer parte, não é apenas aceitar. É confrontar e crescer junto de nossos próprios limites.
E tenho dito.
Hell.


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Hell (bat0mcomalcool)

AUTOR

Hell (bat0mcomalcool). Vulgo Hell {Ellen F.}. Ex-punk, fumante inveterada, colorida e rabiscada. Geminiana em dobro. Filha de Xoroquê e neta da Grande Mãe. Adotou o deboche como filosofia de vida e aceita a decadência como eterna companhia. Viciada em História, política, poesia, cultura vintage, seriados, literatura e The Sims.

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