Aos filhos do AR

sexta-feira, abril 11, 2014 Hell F. 1 Comentários


Somos doces escravos do acaso que se soltam das correntes e misturam cólera, êxtase e amigos fiéis em seus caminhos. Porque preferimos um tiro de ódio declarado do que abraços falsos e tapinhas nas costas.

Eu juntaria a alma em cacos para sentir novamente, apenas sentir - nada além de sentir, aquele fogo da garganta que tudo diz sem se importar se é desaforo demais pra quem não aguenta... Sem aturar hipocrisia calada ou remediar dores que já se cansaram delas mesmas. E daria tudo que não tenho para me anestesiar naquelas repetições fundamentadas do amanhã que pode não existir, mergulhada em bebidas baratas que jamais poderiam ser substituídas por luxo, pois o requinte, meu bem, não paga a minha felicidade. Não vejo graça nesses carrões e jóias extravagantes que os deslumbrados tanto desejam. Sou mais as longas noites, os  amigos interessantes  e essa maravilhosa gente que tá mais viva do que morta. Nunca entenderei o desperdício de existir e optar em ser peso morto. Sou fã de qualquer um que se difere desses cansativos clichês ambulantes que se satisfazem com muita academia e pouco tempero. Eu vejo luz na escuridão que tantos temem, e se há quem me odeie por isso, UAU, que perda de tempo a deles... Só fumo porque tragar é a terapia mais silenciosa e precisa que existe, e só bebo porque a realidade é chata e revoltante demais para se acompanhar completamente sã. Prefiro cinzeiro do que gente deprê, porque ao menos o cinzeiro tem utilidade. Mau humor é para os fracos, nós somos repelente de gente chata. Nem compreendidos nem incompreendidos, nós não precisamos de aprovação prévia. Somos as famosas cartas marcadas e a velha presença garantida. Raiva, fúria e puro amor - por inteiro e ao contrário.


Hell.



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Hell (bat0mcomalcool)

AUTOR

Hell (bat0mcomalcool). Vulgo Hell {Ellen F.}. Ex-punk, fumante inveterada, colorida e rabiscada. Geminiana em dobro. Filha de Xoroquê e neta da Grande Mãe. Adotou o deboche como filosofia de vida e aceita a decadência como eterna companhia. Viciada em História, política, poesia, cultura vintage, seriados, literatura e The Sims.

Um comentário:

  1. "Nunca entenderei o desperdício de existir e optar em ser peso morto." mega me identifiquei com seus textos, mulher *o*

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